quinta-feira, 2 de maio de 2013

O Chafariz e o Muro

Trabalhadores instalando os painéis de vidro. Avener Prado/Folhapress 
Hoje, dia 2 de maio será reaberta para a população de São Paulo o chafariz "Fonte Monumental da Praça Julio Mesquita". Após oito meses e 500 mil reais, a fonte reaberta será cercada por painéis de vidro. Segundo Fábio Donadio, chefe da Seção Técnica de Monumentos e Obras Artísticas do DPH, "Os vidros vão ser colocados para que a fonte não se torne uma piscina, um banheiro público ou um tanque de lavar roupa, como já vimos acontecer". 

Se nos lembrarmos que originalmente, quando não havia água encanada em todas as casas, as fontes eram de fato utilizadas pelas pessoas para se abastecerem de água potável e lavarem roupas, o que era feito no meio de espaços públicos e que as tornavam lugares de encontro, impedir que as pessoas se banhem ou lavem as roupas nos chafarizes é um contrassenso.

A fonte também conhecida pelas lagostas de bronze que a decoram foi instalada na região da Praça da República o que segundo Donadio, "no local onde está o monumento, em plena cracolândia, colocar uma lagosta de bronze é pedir para haver vandalismo." Seguindo essa lógica, então seria melhor colocar a fonte em um shopping ou em bairros de elite já que as pessoas que os frequentam não praticam o vandalismo.

Outro problema identificado pelo responsável pelo restauro, é que "As pessoas que estão morando nas ruas não fazem xixi nas árvores, eles querem fazer nos monumentos. As marcas de ureia não saem." 
Quanto à preferência do local onde fazer xixi, se em árvores ou em monumentos, é difícil opinar já que para quem mora na rua ou seja não tem casa nem banheiro e praticamente não existem sanitários públicos nas cidades, não existe muita opção. Será que parte do dinheiro usado na reforma não poderia ser usada para construir banheiros públicos?

Após a reforma, as duas características que identificam o chafariz não existem mais. A fonte não cumpre mais seu papel de possibilitar o contato da água com as pessoas, em um país tropical, já que está cercada por vidros e as lagostas não são mais de bronze, são de resina plástica. Mas para quem está acostumado a viver as cidades por trás dos vidros dos carros não faz muita diferença se a lagosta é de metal ou plástico ou se água da fonte serve para alguma coisa.

Para saber mais:

Notícia na Folha de S. Paulo
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1246629-fonte-ganha-aquario-para-nao-ser-mais-usada-como-banheiro.shtml

Análise de Fernando Serapião
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1246631-analise-envidracar-monumento-revela-panico-do-poder-publico.shtml

Notícia no Estado de S. Paulo
http://www.estadao.com.br/noticias/geral,protegida-por-vidro-fonte-sera-reaberta-no-centro-de-sp,1027735,0.htm