Mostrando postagens com marcador Patrimônio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Patrimônio. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Novos rumos para edifício abandonado no centro de São Paulo

Vista do edifício São Manuel. Douglas Nascimento/São Paulo Antiga
O "laboratório social" como vem sendo chamado o edifício São Manuel construído em 1939,  está sendo ocupado por 170 famílias desde 2012.  O prédio que de acordo com o cineasta Manuel Moruzzi  era um “latifúndio improdutivo” vazio, com donos devedores do governo agora abriga estudantes de arquitetura, haitianos, sem-teto, evangélicos, garotas de programa e intelectuais da USP, morando com dignidade e perto do trabalho.

O edifício possui creche, sala de cinema, biblioteca, cozinha coletiva, portaria 24 horas e ainda está sendo montado no último andar, um escritório do "Coletivo Chão", formado por doutorandos e ex-alunos de arquitetura.

A participação na limpeza dos andares e na cozinha coletiva é obrigatória, e para manter a creche no segundo andar, são pagos 120 reais a duas  moradoras da ocupação. 160 reais por mês e duas horas em atividades coletivas por dia é o que gasta o morador. A missão é criar um condomínio autossustentável e forçar o governo a transformar em moradia popular o prédio que foi fechado pelos donos em 2009.

Vista de esquina do edifício São Manuel. Douglas Nascimento/São Paulo Antiga
De acordo com Luiz Fernando Janot em seu texto “A esquizofrenia do poder” esses edifícios abandonados são reflexo da falta de planejamento consciente e de longo prazo.
“O interesse do mercado em criar novas centralidades, através da oferta de edifícios corporativos e de shoppings centers, tem contribuído para o abandono de importantes prédios do centro histórico e para a degradação dos espaços públicos no seu entorno. Por que seguir o exemplo de São Paulo, que esvaziou o velho centro ao implantar, sucessivamente, novas centralidades? Por que ao invés disso não incentivar a requalificação espacial e tecnológica dos belíssimos edifícios de escritórios existentes nas áreas centrais, como está sendo feito atualmente com o Empire State em Nova York?”
O plano para o edifício São Manuel traz uma alternativa para a questão dos prédios abandonados, resolve problemas sociais como o da habitação e por fim nos leva a pensar uma nova maneira de morar, de se relacionar e viver em sociedade.


Para saber mais:

Prédio autossustentável é moradia de 170 famílias

“A esquizofrenia do poder” de Luiz Fernando Janot:

Edifício São Manoel


sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Triptyque adapta edifício histórico em centro cultural.

Edifício da antiga subestação que se transformará em residência artística e centro cultural. Eduardo Knapp/Folhapress

O escritório de arquitetura e urbanismo Triptyque transformará em outubro o edifício de uma antiga subestação transformadora de energia em um centro cultural em São Paulo. O edifício que pertencente à Red Bull dará lugar à musica, às artes plásticas além de residência para artistas brasileiros e estrangeiros.

Apenas a fachada do edifício é tombada e deverá ser conservada no projeto de reforma e requalificação feito pelo escritório, no entanto eles optaram por conservar também grande parte do interior, aproveitando para mostrar a história do edifício aos futuros visitantes. O projeto também conta com uma intervenção contemporânea: uma cobertura externa em formato de folha, criando um novo ambiente com vista para cidade.

De acordo com a presidente do Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo), Nadia Somekh, o projeto “trata de forma contemporânea o patrimônio, preservando a história e ao mesmo tempo dando espaço para um uso atual”.

As imagens do projeto ainda não foram divulgadas. Em breve publicaremos fotos desse trabalho que salva mais uma edificação de tanto valor histórico para cidade através da requalificação e do uso adequado.


Para saber mais:

Triptyque
http://triptyqueblog.blogspot.com.br/

Triptyque transforma prédio da Light em espaço cultural, no centro de São Paulo
http://www.arcoweb.com.br/noticias/triptyque-transforma-predio-light-centro-cultural.html

Antiga estação da Light em SP vai virar centro cultural em outubro
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/07/1314071-antiga-estacao-da-light-em-sp-vai-virar-centro-cultural-em-outubro.shtml


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Projeto para o eixo monumental inspirado nos croquis de Burle Marx

No mês de agosto Brasília receberá um projeto paisagístico para o eixo monumental inspirado nos croquis de Burle Marx de quarenta anos antes e redesenhado pelo arquiteto Haruyoshi Ono, do escritório que leva o nome do paisagista modernista.

Eixo Monumental. Divulgação/Burle Marx

O eixo receberá, entre a rodoviária e a torre de tv,  canteiros de flores, a fonte luminosa terá pista de pedestre alargada para receber maior número de pessoas e a praça será arborizada com árvores nativas, como guariroba, buriti e acácia, já que usar a vegetação própria da região é um princípio de Burle Marx. Calçadas e ciclovias ligam os dois lados do eixo monumental que conecta os setores hoteleiros norte e sul, e espelhos d'água prometem levar mais umidade ao local deixando o ar mais agradável na época da seca, além de irrigação automática.


Comparação entre o Eixo atual e o do projeto. Divulgação/Burle Marx

O professor da UNB  Frederico Flósculo diz que o projeto não possui no entanto a marca de Burle Marx e nem a complexidade e a maturidade do seu trabalho, mas não nega que será um investimento bem vindo para a cidade. Tornar a região menos árida é um dos objetivos da intervenção, explica Ono, mas será que não vemos aí também, um desejo de pensar para o pedestre, a cidade que foi feita para ser percorrida em alta velocidade? No momento que vivemos, o mundo todo está pensando em formas ecológicas de se locomover, e agora que se atentou para a necessidade de uma cidade que não seja de passagem, mas de estar e de viver, Brasília não pode permanecer na contramão.

Ainda que o autor do projeto talvez não tenha tido tal intenção, o projeto nos leva a pensar: será possível recuperar para as pessoas uma cidade projetada para veículos? Se essa é intenção, a maior dificuldade nessa ‘caminhada’ será fazer com que a pé tenha-se acesso a serviços, comércio e instituições de forma não exaustiva na capital onde tudo é setorizado e demasiado longe.

A Torre de Tv vista do Eixo. Divulgação/Burle Marx

No entanto qualificar os espaços existentes para o uso e o lazer das pessoas, como será nesse projeto, mostrando que diversão ou descanso pode acontecer no lugar que é público, já é um grande passo rumo à humanização das cidades.


Para saber mais:

Confira o projeto paisagístico de Burle Marx para o Eixo Monumental - Lugar Certo 
http://www.lugarcerto.com.br/app/402,61/2013/07/25/interna_ultimas,47139/confira-o-projeto-paisagistico-de-burle-marx-para-o-eixo-monumental.shtml

Implantação do projeto paisagístico de Burle Marx no Eixo Monumental, em Brasília, é aprovada
http://www.piniweb.com.br/construcao/urbanismo/implantacao-do-projeto-paisagistico-de-burle-marx-no-eixo-monumental-293249-1.asp

Novacap retira 26 árvores do Eixo Monumental, em Brasília
http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2013/12/novacap-retira-26-arvores-do-eixo-monumental-em-brasilia.html

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Qual é a melhor maneira de cuidar dos prédios históricos?

Casarão no centro de Belém. Paulo Akira/ O Liberal

Em Belém a prefeitura está multando os donos dos casarões que estejam abandonados no centro da cidade. Será que essa é uma boa solução? Vamos supor que os proprietários dos imóveis tombados realmente façam as reformas nos edifícios. Se o donos dos casarões não estão muito convencidos da importância da preservação do patrimônio histórico será que a reforma será bem feita ou só uma "maquiagem" para evitar a multa? E a manutenção posterior? Será feita ou só quando a prefeitura ameaçar multar o proprietário novamente?

Continuando na suposição de que os casarões sejam reformados, se eles estiverem vazios, desocupados, sem um uso adequado qual é o sentido de preservar? Só para "compor a paisagem"? As grandes cidades brasileiras sofrem com a desvalorização dos centros e, se a região dos imóveis tombados não é vivida pelos seus moradores, se as pessoas não andam nas ruas, como manter os casarões úteis à cidade?

Todos habitantes tem um papel na preservação da patrimônio e da identidade cultural da cidade. Se a única solução for o governo impondo que os proprietários preservem os imóveis, provavelmente não vai dar certo, como não tem dado. Mas se a população como um todo, incluindo os proprietários dos casarões, se conscientizar da importância desses edifícios e da revalorização do bairro no entorno aí sim pode ser que funcione. O poder público incentivando e guiando as reformas, o proprietários percebendo que todo dinheiro investido na manutenção da cidade retornará à ele multiplicado e por fim, toda a cidade que terá a auto-estima elevada, reflexo de seus habitantes. Afinal, qual o sentido de existir uma cidade sem identidade?

Para saber mais:

Notícia no G1
http://g1.globo.com/pa/para/noticia/2013/05/donos-de-casaroes-abandonados-podem-ser-multados-em-belem.html

quinta-feira, 2 de maio de 2013

O Chafariz e o Muro

Trabalhadores instalando os painéis de vidro. Avener Prado/Folhapress 
Hoje, dia 2 de maio será reaberta para a população de São Paulo o chafariz "Fonte Monumental da Praça Julio Mesquita". Após oito meses e 500 mil reais, a fonte reaberta será cercada por painéis de vidro. Segundo Fábio Donadio, chefe da Seção Técnica de Monumentos e Obras Artísticas do DPH, "Os vidros vão ser colocados para que a fonte não se torne uma piscina, um banheiro público ou um tanque de lavar roupa, como já vimos acontecer". 

Se nos lembrarmos que originalmente, quando não havia água encanada em todas as casas, as fontes eram de fato utilizadas pelas pessoas para se abastecerem de água potável e lavarem roupas, o que era feito no meio de espaços públicos e que as tornavam lugares de encontro, impedir que as pessoas se banhem ou lavem as roupas nos chafarizes é um contrassenso.

A fonte também conhecida pelas lagostas de bronze que a decoram foi instalada na região da Praça da República o que segundo Donadio, "no local onde está o monumento, em plena cracolândia, colocar uma lagosta de bronze é pedir para haver vandalismo." Seguindo essa lógica, então seria melhor colocar a fonte em um shopping ou em bairros de elite já que as pessoas que os frequentam não praticam o vandalismo.

Outro problema identificado pelo responsável pelo restauro, é que "As pessoas que estão morando nas ruas não fazem xixi nas árvores, eles querem fazer nos monumentos. As marcas de ureia não saem." 
Quanto à preferência do local onde fazer xixi, se em árvores ou em monumentos, é difícil opinar já que para quem mora na rua ou seja não tem casa nem banheiro e praticamente não existem sanitários públicos nas cidades, não existe muita opção. Será que parte do dinheiro usado na reforma não poderia ser usada para construir banheiros públicos?

Após a reforma, as duas características que identificam o chafariz não existem mais. A fonte não cumpre mais seu papel de possibilitar o contato da água com as pessoas, em um país tropical, já que está cercada por vidros e as lagostas não são mais de bronze, são de resina plástica. Mas para quem está acostumado a viver as cidades por trás dos vidros dos carros não faz muita diferença se a lagosta é de metal ou plástico ou se água da fonte serve para alguma coisa.

Para saber mais:

Notícia na Folha de S. Paulo
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1246629-fonte-ganha-aquario-para-nao-ser-mais-usada-como-banheiro.shtml

Análise de Fernando Serapião
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1246631-analise-envidracar-monumento-revela-panico-do-poder-publico.shtml

Notícia no Estado de S. Paulo
http://www.estadao.com.br/noticias/geral,protegida-por-vidro-fonte-sera-reaberta-no-centro-de-sp,1027735,0.htm